Lider da juventude                                                              O beijo no leproso, O crucifixo de São Damião

                                                                                       (o novo chamado de Deus)

 

Os conflitos entre feudos e comunas                                     Os primeiros seguidorees e o caminho do evangelho

O início da conversão                                                           O primeiro sacerdote franciscano

 

Mais uma guerra e o chamado de Deus                                   A aprovação da igreja

 

Uma decisão corajosa, o louco de Assis                                   O retorno a Assis e a viagem a Roma

 

Oração atribuída a São Francisco de Assis                                O Cântico das Criaturas

                                                                                       (ou Cântico do Irmão Sol)

 

SÃO FRANCISCO DE ASSIS

 

Filho de Pedro e Dona Pica Bernardone, Francisco nasceu entre 1181 e 1182 , na cidade de Assis, Itália. Seu pai era um rico e próspero comerciante, que seguidamente viajava para a França, de onde trazia a maior parte de suas mercadorias. Foi de lá também que ele trouxe sua linda e bondosa esposa, Dona Pica. O menino foi batizado com o nome de Giovanni, (João - provavelmente se referindo ao espírito luminoso que nesse corpo estava presente, isto é, reencarnação de João Evangelista, o discípulo amado de Jesus), que o pai logo mudou para Francesco (ou seja, francês), em homenagem à França, terra natal da esposa e destino de suas freqüentes viagens comerciais.

 

 

LIDER DA JUVENTUDE

 

Dedicado primeiramente à atividade do pai, teve uma adolescência despreocupada: hábil negociante de tecidos e pródigo esbanjador, foi um espírito aventureiro e ávido de glória. Foi alfabetizado na escola paroquial de São Jorge em Assis, aprendendo, além do latim, alguns elementos de francês (sobretudo o provençal).

 

Francisco era o líder da juventude de sua cidade.Alegre, amante da música e das festas, com muito dinheiro para gastar, tornou-se rapidamente um ídolo entre seus companheiros. Adorava banquetes, noitadas de diversão e cantar serenatas para as belas damas de sua cidade.

 

Em 1202, participou das lutas entre Perúgia e Assis; aprisionado pelos perusinos, foi libertado no ano seguinte. Francisco de Assis fez uma viagem (1205) à Puglia para fazer-se armar cavaleiro nas tropas pontifícias de Gautier de Brienne, mas foi detido em Spoleto por um sonho em que lhe era feito o convite de seguir antes "o senhor do que o servo". Então voltou a Assis, onde passou a se dedicar a uma vida de meditação e de piedade: remontam a esse período os atos de heróica caridade para com os pobres e os leprosos. Também para fugir à ira do pai, passou o outono de 1205 na igrejinha de São Damião, aos pés do monte Subasio, onde fez trabalhos de restauração, após ter ouvido por três vezes o convite do Crucificado: "Vai, Francisco, e restaura a minha igreja que, como vês, está em ruínas". 

CONFLITOS ENTRE FEUDOS E COMUNAS 

 

A Itália, como toda a Europa daquela época, vivia uma fase bastante conflituosa de sua história, marcada pela passagem do sistema feudal (baseado na estabilidade, na servidão e nas relações desiguais entre vassalos e suseranos) para o sistema burguês, com o surgimento das "comunas" livres (pequenas cidades), com seu comércio, artesanato e pequenas indústrias. Com o novo sistema, mudaram-se as relações. O poder dos senhores feudais passou a ser questionado e enfrentado pelos novos senhores, originários das comunas, a maioria deles constituída pelos comerciantes mais abastados, a exemplo de Pedro Bernardone.

 

Eram freqüentes, nesta época, guerras e batalhas entre os senhores feudais e as emergentes comunas. Como todo jovem ambicioso de sua época, Francisco desejava conquistar, além da fortuna, também a fama e o título de nobreza. Para tal, fazia-se necessário tornar-se herói em uma dessas freqüentes batalhas. No ano de 1201, incentivado por seu pai, que também ansiava pela fama e nobreza, Francisco partiu para mais uma guerra, que os senhores feudais, baseados na vizinha cidade de Perúsia, haviam declarado contra a Comuna de Assis.

 

Durante os combates, em uma tarde de inverno, Francisco caiu prisioneiro, sendo levado para a prisão de Perúsia, onde permaneceu longos e gelados meses. Para um jovem cheio de vida como ele, a inércia da prisão deve ter sido especialmente dolorosa! Somente seu espírito alegre, seu temperamento descontraído e seu gosto pela música o salvaram do desespero. Encontrava ainda forças para reconfortar e reanimar seus companheiros de infortúnio.

 

Costumava dizer, em tom de brincadeira para seus companheiros: "Como quereis que eu fique triste, sabendo que grandes coisas me esperam? O mundo inteiro ainda falará de mim!"

 

Ao término de um ano foi solto da prisão, retornando para Assis, onde se entregou novamente aos saudosos divertimentos da juventude e às atividades na casa comercial de seu pai.

O INÍCIO DA CONVERSÃO 

 

O clima insalubre da prisão, agravado pelos prolongados meses de inverno, haviam-lhe enfraquecido o organismo, provocando agora uma grave enfermidade. Depois de longos meses de sofrimento, sem poder sair da cama, finalmente conseguiu melhorar. Ao levantar-se, porém, não era mais o mesmo Francisco. Sentiu-se diferente, sem poder compreender o porquê.

 

A verdade é que a humilhação e o sofrimento da prisão, somados ao enfraquecimento causado pela doença, provocaram profundas mudanças no jovem Francisco. Foi o caminho que Deus escolheu para entrar mais profundamente em sua vida. Já não sentia mais prazer nas cantigas e nos banquetes em companhia dos amigos. Começou a perceber a leviandade dos prazeres puramente terrenos, embora ainda não buscasse a Deus. Na verdade, Francisco não nasceu santo, mas lutou muito para se tornar santo!

MAIS UMA GUERRA!

 

Francisco havia perdido o gosto pelos prazeres mundanos, mas conservava ainda a ambição da fama. Por esse motivo, sonhava com a glória das armas e a nobreza, que se conquistavam nos campos de batalha.

 

Por isso, aderiu prontamente ao exército que o Conde Gentile de Assis estava organizando para ajudar o Papa Inocêncio III na defesa dos interesses da Igreja. Contou para isso com a aprovação entusiasmada do pai, que vislumbrava aí a oportunidade tão longamente esperada de enobrecer sua família. Deus, porém, lhe reservava algumas surpresas ...

 

Antes de partir, num impulso de generosidade, Francisco cedeu a um amigo mais pobre os ricos trajes e a armadura caríssima que havia preparado para si. Isso lhe valeu um sonho estranho: viu um castelo repleto de armas destinadas a ele e a seus companheiros. Francisco não conseguiu entender o significado do sonho. Pensou que estava, talvez, destinado a ser um famoso guerreiro! O fato é que o sonho não lhe saía do pensamento.

 

 

O CHAMADO DE DEUS

 

Ao chegar ao povoado de Espoleto, Deus tornou a lhe falar em sonhos, desta vez com maior clareza, de modo que ele reconheceu a voz divina que lhe perguntava: "A quem queres servir: ao Servo ou ao Senhor?" Francisco respondeu prontamente: "Ao Senhor, é claro!" A voz tornou a lhe falar: "Por que insistes então em servir ao servo? Se queres servir ao Senhor, retorna a Assis. Lá te será dito o que deves fazer!" Francisco entendeu, então, que estava buscando apenas a glória humana e passageira. Estava fazendo a vontade de pessoas ambiciosas e mesquinhas e não a vontade do Senhor do Universo.

FRETORNO A ASSIS 

 

Desafiando os sorrisos de desdém dos vizinhos e a cólera de Pedro Bernardone, contrariado em seus projetos, Francisco retornou a Assis, dando prova da energia de seu caráter e do valor do seu ânimo, virtudes que se mostrariam valiosas mais tarde nos percalços de seu novo caminho.

 

Começou a longa busca e a longa espera: "O que Deus quer de mim? O que Ele quer que eu faça?" Era esse o constante questionamento de Francisco.

 

Sentia um vazio dentro de si, que as festas, farras, bebedeiras e guerras não conseguiam mais preencher. Estava inquieto e insatisfeito, mas não sabia bem porquê.

 

Em vão tentaram seus amigos atraí-lo outra vez para suas diversões, banquetes e trovas. Até o fizeram coroar, durante uma festa, como o "Rei da Juventude", mas nada disso o comoveu. Já não era isso que o atraía. Sua busca era outra...

 

Para tentar desvendar os desígnios de Deus, passou a se dedicar à oração e à meditação. Percorria campos e florestas em busca de lugares mais tranqüilos, em busca de respostas para suas dúvidas e inquietações. Para ele, tudo passou a ter outro sentido. Passou a enxergar as coisas com outros olhos e outro coração.

 

 

VIAGEM A ROMA 

 

Em busca de respostas, decidiu viajar para Roma, isso no ano de 1205. Visitou a tumba do Apóstolo São Pedro e, indignado pelo que viu, exclamou: "É uma vergonha que os homens sejam tão miseráveis com o Príncipe dos Apóstolos!" E jogou um grande punhado de moedas de ouro, contrastando com as escassas esmolas de outros fiéis menos generosos. A seguir, trocou seus ricos trajes com os de um mendigo e fez sua primeira experiência de viver na pobreza.

 

Voltou a Assis, à casa paterna, entregando-se ainda mais à oração e ao silêncio. A família e os amigos estavam preocupados com o jovem Francisco: o que lhe estaria acontecendo? Será que ainda estava em pleno juízo? Seu pai, então, não se conformava! Não era isso que ele tinha sonhado para seu filho! Indignado, forçava-o a trabalhar cada vez mais em seu estabelecimento comercial.

O BEIJO NO LEPROSO

 

Em 1206, passeando a cavalo pelas campinas de Assis, viu um leproso, que sempre lhe parecera um ser horripilante, repugnante à vista e ao olfato, cuja presença sempre lhe havia causado invencível nojo.

 

Mas, então, como que movido por uma força superior, apeou do cavalo, e, colocando naquelas mãos sangrentas seu dinheiro, aplicou ao leproso um beijo de amizade. Talvez a motivação para este nobre e significativo gesto tenha sido a recordação daquela frase do Evangelho: "Tudo o que fizerdes ao menor de meus irmãos, é a mim que o fazeis" (Mt 10,42). Falando depois a respeito desse momento, ele diz: "O que antes me era amargo, mudou-se então em doçura da alma e do corpo. A partir desse momento, pude afastar-me do mundo e entregar-me a Deus".

 

 

O CRUCIFIXO DE SÃO DAMIÃO - NOVO CHAMADO DE DEUS

 

Pouco depois, entrou para rezar e meditar na pequena capela de São Damião, semidestruída pelo abandono. Estava ajoelhado em oração aos pés de um crucifixo, que a piedade popular ali venerava, quando uma voz, saída do crucifixo, lhe falou: "Francisco, vai e reconstrói a minha Igreja que está em ruínas". Não percebendo o alcance desse chamado e vendo que aquela Igrejinha estava precisando de urgente reforma, Francisco regressou a Assis, tomou da loja paterna um grande fardo de fina fazenda e vendeu-a. Retornando, colocou o dinheiro nas mãos do sacerdote de São Damião, oferecendo-se para ajudá-lo na reconstrução da capela com suas próprias mãos.

 

Conhecendo o caráter de Pedro Bernardone, é fácil imaginar sua cólera ao ver desfalcada sua casa comercial e perdido o seu dinheiro. Não bastava já o desfalque que dava ao entregar gratuitamente mercadorias e alimentação para os "vagabundos" necessitados? Agora mais essa! E Francisco teve que se esconder da fúria paterna.

 

Certo dia saiu resolutamente a mendigar o sustento, de porta em porta, na cidade de Assis. Para Bernardone, isso já era demais! Como podia ele envergonhar de tal forma sua família? Se seu filho havia perdido o juízo, era necessário encarcerá-lo! Assim, Francisco experimentou mais uma vez o cativeiro, desta feita num escuro cubículo debaixo da escada da própria casa paterna. Pelo que sabemos, depois de alguns dias, movida pela compaixão, sua mãe abriu-lhe, às escondidas, a porta e o deixou partir livremente para seguir o seu destino.

UMA DECISÃO CORAJOSA 

 

Ao final de 1206, Pedro Bernardone, convencido de que nem as razões nem a força podiam torcer o ânimo de Francisco, decidiu recorrer ao Bispo, instaurando-se um julgamento como nunca aconteceu na história de outro santo. O palco do julgamento foi a própria Praça Comunal de Assis, bem à vista de todos.

 

Bernardone exigiu que seu filho lhe devolvesse tudo quanto recebera dele. Francisco, ciente da sentença de Cristo: "Quem ama o seu pai ou a sua mãe mais que a Mim, não é digno de Mim" (Mt 19,29), sem vacilar um momento, se despojou de tudo até ficar nu, jogou os trajes e o dinheiro aos pés de seu pai, e exclamou: "Até agora chamei de pai a Pedro Bernardone. Doravante não terei outro pai, senão o Pai Celeste". O Bispo, então, o acolheu, envolvendo-o com seu manto.

 

Daquele momento em diante, cantando "Sou o arauto do Grande Rei, Jesus Cristo", afastou-se de sua família e de seus amigos e entregou-se ao serviço dos leprosos, tratando de suas feridas, e à reconstrução das Capelas e Oratórios que cercavam a cidade. Cada dia percorria as ruas mendigando seu pão e convidando as pessoas para que contribuíssem com pedras e trabalho na restauração das "Casas de Deus" que estavam em ruínas.

 

 

O LOUCO DE ASSIS 

 

De alguns recebia apoio e incentivo. De muitos, o desprezo e a zombaria. No entender da maioria, o filho de Pedro Bernardone havia perdido completamente o juízo! E não só a garotada da cidade escarnecia dele, chamando-o de louco e outros qualificativos menos nobres.

 

Mais de uma vez sentiu-se tentado a voltar atrás, quando chegava à porta de seus antigos amigos; mas saía vitorioso nessas lutas entre o orgulho humano e o próprio ideal. Já alguns começaram a reconhecer nele traços do futuro santo, embora ele mesmo ainda não conhecesse claramente sua vocação.

 

Estava já terminando a restauração da última igrejinha da redondeza, a capelinha de Santa Maria dos Anjos e perguntava-se o que faria depois. O que mais lhe pediria Deus? Não havia entendido ainda que a Igreja que devia restaurar não era a de pedra, mas a própria Igreja de Cristo, enfraquecida na época pelas divisões, heresias e pelo apego de seus líderes às riquezas e ao poder.

 

Devia ser aquele o ano de 1209. Certo dia, Francisco escutou, durante a missa, a leitura do Evangelho: tratava-se da passagem em que Cristo instruía seus Apóstolos sobre o modo de ir pelo mundo, "sem túnicas, sem bastão, sem sandálias, sem provisões, sem dinheiro no bolso ..." (Lc 9,3). Tais palavras encontraram eco em seu coração e foram para ele como intensa luz. E exclamou, cheio de alegria: "É isso precisamente o que eu quero! É isso que desejo de todo o coração!" E sem demora começou a viver, como o faria em toda a sua vida, a pura letra do Evangelho. Repetia sempre para si e, mais tarde, também para seus companheiros: "Nossa regra de vida é viver o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo"!

OS PRIMEIROS SEGUIDORES 

 

A partir daquele dia, Francisco iniciou sua vida de pregador itinerante, percorrendo as localidades vizinhas e pregando, em palavras simples, o Evangelho de Cristo.

 

Muitos começaram, enfim, a compreender o sentido dessa vida e manifestaram o desejo de segui-la. O primeiro foi um homem rico de Assis, Bernardo de Quintaval. Ao perguntar para Francisco: "O que devo fazer para seguir-te" ? Este decidiu, como em todos os momentos decisivos de sua vida, recorrer ao Evangelho, para que o próprio Cristo lhes desse a resposta.

 

 

O CAMINHO DO EVANGELHO 

 

De manhã, bem cedo, foram ambos à missa. Pelo caminho juntou-se aos dois Pedro de Catânia, doutor em Direito e novo companheiro.

 

Por três vezes abriram o livro do Evangelho, e as três respostas que encontraram foram as seguintes:

 

"Se queres ser perfeito, vende o que tens e dá-o aos pobres. Depois vem e segue-me" (Mt 19,21).

 

"Não leveis nada pelo caminho, nem bastão, nem alforje, nem uma segunda túnica..." (Lc 9,3).

 

"Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz cada dia e siga-me" (Mt 16,24).

 

"Isto é o que devemos fazer, e é o que farão todos quantos quiserem vir conosco" – exclamou Francisco, que subitamente viu brilhar uma luz sobre o caminho que ele e seus companheiros deveriam seguir. Finalmente encontrou o que por tanto tempo havia procurado! Isto aconteceu a 24 de fevereiro de 1208, dando início à fundação da Fraternidade dos Irmãos Menores.

 

No mesmo dia, Bernardo de Quintaval vendeu todos os seus bens e repartiu o dinheiro entre os pobres de Assis.

O PRIMEIRO SACERDOTE FRANCISCANO 

 

O exemplo de Bernardo produziu frutos. O primeiro é o sacerdote Silvestre, que exclamou comovido: "Como posso eu, sacerdote e velho, ser menos generoso que estes jovens e ricos?" E, sem mais, lançou-se com eles na aventura de viver o Evangelho. Tornou-se, assim, o primeiro sacerdote da Ordem Franciscana!

 

Prontamente aderiram outros: Gil, um modesto lavrador que se tornaria um grande santo; Morico, dedicado ao serviço dos leprosos; Bárbaro, futuro missionário no Oriente; Sabatino, Bernardo de Viridiante, João de Constança, Ângelo, da ilustre família dos Tancredo, aparentado com reis e príncipes; Felipe, grande pregador; e muitos outros...

 

Juntos, formaram um grupo de mendigos voluntários (daí o adjetivo de Ordem Mendicante dado à Ordem Franciscana), que trabalhavam e rezavam, cantavam e pregavam, maravilhando o povo com a novidade do Evangelho sendo vivido diante de seus próprios olhos. Algumas choupanas cobertas de folhagem, no pitoresco vale do Rivotorto, serviam-lhes de modesto abrigo.

A APROVAÇÃO DA IGREJA 

 

No ano de 1210, Francisco e seus seguidores viajaram até Roma para buscar a aprovação do Papa para o seu modo de vida. Mas como aquele bando de mendigos, maltrapilhos e desconhecidos seria recebido pelo severo Inocêncio III? Francisco rezava e confiava. Afinal, não era o próprio Cristo que o estava conduzindo?

 

Por coincidência ou providência divina, encontrava-se em Roma, nessa ocasião, o Bispo de Assis, grande admirador de Francisco. Graças a ele o Papa os recebeu.

 

Inocêncio III ficou maravilhado com o propósito de vida daquele grupo e, especialmente, com a figura de Francisco, a clareza de sua opção e a firmeza que demonstrava. Reconheceu nele o homem que há pouco vira em sonho, segurando as colunas da Igreja de Latrão (a igreja-mãe de todas as Igrejas do mundo!), que ameaçava ruir. O Papa reconheceu que era o próprio Deus quem inspirava Francisco a viver radicalmente o Evangelho, trazendo vida nova a toda a Igreja, naquele tempo tão distanciada dos ensinamentos de Cristo! Por isso deu a seu modo de viver o Evangelho a aprovação oficial da Igreja. Autorizou Francisco e seus seguidores a pregar o Evangelho nas igrejas e fora delas e os despediu com sua bênção. Este fato histórico ocorreu a 16 de Abril de 1210, marcando o nascimento oficial da Ordem Franciscana.

O Cântico das Criaturas(ou Cântico do Irmão Sol)

 

Altíssimo, onipotente, bom Senhor,

Teus são o louvor, a glória, a honra

E toda a benção.

 

Só a ti, Altíssimo, são devidos;

E homem algum é digno

De te mencionar

 

Louvado sejas, meu Senhor,

Com todas as tuas criaturas,

Especialmente o senhor irmão Sol,

Que clareia o dia

E com sua luz nos alumia.

 

E ele é belo e radiante

Com grande esplendor:

De ti, Altíssimo, é a imagem.

 

Louvado sejas, meu Senhor,

Pela irmã Lua e as Estrelas,

Que no céu formaste-as claras

E preciosas e belas.

 

Louvado sejas, meu Senhor,

Pelo irmão Vento,

Pelo ar, ou nublado,

Ou sereno, e todo o tempo,

Pelo qual às tuas criaturas dás sustento.

 

Louvado sejas, meu Senhor

Pela irmã Água,

Que é muito útil e humilde

E preciosa e casta.

 

Louvado sejas, meu Senhor,

Pelo irmão Fogo

Pelo qual iluminas a noite,

E ele é belo e fecundo

E vigoroso e forte.

 

Louvado sejas, meu Senhor,

Por nossa irmã a mãe Terra,

Que nos sustenta e governa

E produz frutos diversos

E coloridas flores e ervas.

 

Louvado sejas, meu Senhor,

Pelos que perdoam por teu amor,

E suportam enfermidades e tribulações.

 

Bem-aventurados os que as sustentam em paz,

Que por Ti, Altíssimo, serão coroados.

 

Louvado sejas, meu Senhor,

Por nossa irmã a Morte corporal,

Da qual homem algum pode escapar.

 

Ai dos que morrerem em pecado mortal!

Felizes os que ela achar

Conformes à tua santíssima vontade,

Porque a morte segunda não lhes fará mal!

 

Louvai e bendizei ao meu Senhor,

E dai-lhe graças,

E servi-o com grande humildade.

 

 

Exortação ao Louvor do Senhor 

 

"Temei a Deus e lhe dai Glória"(Ap 14,7).

 

Digno é o Senhor de receber o louvor e a honra(cf. Ap 4,11).

 

Todos os que temei ao Senhor, louvai-o(cf. Sl 21,24).

 

"Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo"(Lc 1,28).

 

Céu e terra, louvai-o(cf. Sl 68,35).

 

Todos os rios, louvai o Senhor(cf. Dn 3,87).

 

"Bendizei, filhos de Deus, o Senhor"(Dn 3,82).

 

"Este é o dia que o Senhor fez, alegre, exultemos por ele"(Sl 117,24).

 

Aleluia, aleluia, aleluia! "Rei de Israel"(Jó 12,13)!

 

"Tudo que respira louve o Senhor"(Sl 150,6).

 

"Louvai o Senhor porque é bom"(Sl 146,1); todos os ledes estas palavras, "bendizei o Senhor"(Sl 102,21).

 

"Todas as criaturas, bendizei o Senhor"(Sl 102,22).

 

Todas as aves do céu, louvai o Senhor(cf. Dn 3,80; Sl 148,7-10).

 

"Todos os servos, louvai o Senhor"(Sl 112,1).

 

Jovens e donzelas, louvai o Senhor(cf. Sl 148,12).

 

"Digno é o Cordeiro imolado" de receber louvor, glória e honra(Ap 5,12).

 

"Bendita seja a santa Trindade e a indivisa Unidade"(Missa da Santíssima Trindade).

 

"São Miguel Arcanjo, defendei-nos no combate"(Missa de São Miguel Arcanjo).

 

 

Elogio às Virtudes 

 

Salve, rainha sabedoria, o Senhor te guarde por tua santa irmã, a pura simplicidade!

 

Senhora santa Pobreza, o Senhor te guarde por tua santa irmã, a humildade!

 

Senhora santa caridade, o Senhor te guarde por tua santa irmã, a obediência!

 

Santíssimas virtudes todas, guarde-vos o Senhor, de quem procedeis e vindes a nós!

 

Não existe no mundo inteiro homem algum em condições de possuir uma de vós, sem que ele morra primeiro.

 

Quem possuir uma de vós e não ofender as demais, a todas possui; e quem a uma ofender, nenhuma possui e a todas ofende. E cada uma por si destrói os vícios e pecados.

 

A santa sabedoria confunde Satanás e todas as suas astúcias.

 

A pura e santa simplicidade confunde toda sabedoria deste mundo e a prudência da carne.

 

A santa pobreza confunde toda cobiça e avareza e solicitudes deste século.

 

A santa humildade confunde o orgulho e todos os homens deste mundo e tudo quanto há no mundo.

 

A santa caridade confunde todas as tentações do demônio e da carne e todos os temores carnais.

 

A santa obediência confunde todos os desejos sensuais e carnais e mantém o corpo mortificado para obedecer ao espírito e obedecer ao seu irmão, e torna o homem submisso a todos os homens desse mundo, e nem só aos homens, senão também a todas as feras e animais irracionais, para que dele possam dispor a seu talante, até o ponto que lho for permitido do alto pelo Senhor(cf. Jó 19,11)

Oração atribuída a São Francisco de Assis 

 

 

Senhor, fazei-me instrumento de vossa paz.

 

Onde houver ódio, que eu leve o amor;

 

Onde houver ofensa, que eu leve o perdão;

 

Onde houver discórdia, que eu leve a união;

 

Onde houver dúvida, que eu leve a fé;

 

Onde houver erro, que eu leve a verdade;

 

Onde houver desespero, que eu leve a esperança;

 

Onde houver tristeza, que eu leve alegria;

 

Onde houver trevas, que eu leve a luz.

 

Ó mestre, fazei que eu procure mais consolar que ser consolado;

 

compreender, que ser compreendido;

 

amar, que ser amado.

 

Pois é dando que se recebe,

 

é perdoando que se é perdoado,

 

e é morrendo que se vive

 

para a Vida Eterna.

 
X

Senha:

Senha incorreta.