A composição da mesa mediúnica no nível espiritual e material

 

Ao sentar-me à mesa neste dia, pude observar através da vidência a preparação da mesa mediúnica, não só no plano espiritual como no material. Os médiuns que estavam sentados à mesa são envoltos em uma névoa brilhante que desce de um ponto luminoso do espaço. Essa névoa limpa os chacras dos médiuns que estejam sintonizados com a corrente, tornando-os brilhantes também. Aqueles que estão desligados, distraídos, mesmo que os guias desejem, não conseguem envolvê-los com essa energia. Concomitantemente, surgem os Guias dos médiuns que manipulam essa névoa com mestria, fazendo-a penetrar na cabeça, nos rins, no baço, no estômago, atingindo a parte respiratória e circulatória, até que todo o organismo se “acenda” também. Na cabeça atinge a pineal, a hipófise, se irradiando pelo hipotálamo que, afinal, se encarrega de transmitir a todo sistema nervoso. O sistema nervoso fica colorido, com “células” percorrendo fibra por fibra, até que atinge o perispírito do médium, deixando-o pronto para incorporação semi-inconsciente. O sistema nervoso é semelhante a vias expressas vista do alto e à noite, onde podemos avistar milhões de luzes, se acendendo e se apagando num movimento frenético.

 

Este trabalho é uma espécie de limpeza, energização e reequilíbrio dos chacras a que os médiuns são submetidos para que possam começar a trabalhar com energias diferenciadas e também serve de respaldo vibratório a fim de amenizar o desgaste na incorporação dos obsessores.

 

Após essa limpeza a névoa se mistura com as luzes que emanam dos corpos dos médiuns e se transformam em luzes abundantes envolvendo a subcorrente fazendo o mesmo processo nos que estão sintonizados, pois dos próprios médiuns saem luzes, principalmente do chacra cardíaco. Atrás de cada médium se acende algo semelhante a um refletor que irradia incessantemente luz branca nos chacras, especialmente no chacra cardíaco que passa a girar com maior força, ficando o médium ligado por fios a essa luz.

 

Em todo o organismo do médium que está sintonizado, as células se acendem e se aceleram. Tal qual o maquinário de uma fábrica obedece ao comando do Guia que manipula a luz branca, tornando o médium apto a receber e emitir suas energias para o início do trabalho.

 

Todas as energias são e serão usadas no decorrer do trabalho. De início, a mesma luz que envolve a mesa passa a envolver também o terreiro e os médiuns que estiverem em concentração. Pude, assim, observar como é importante a concentração! Sem ela, pouco podemos ajudar; mas podemos atrapalhar muito pois, com os pensamentos voltados para os afazeres mundanos, impedimos o equilíbrio da corrente eletromagnética que é feita por pensamentos bons e amorosos. Somos, então, como afirmou Jesus, “pedra de tropeço” para a espiritualidade que precisa atuar, mas encontra resistências de alguns médiuns mais desavisados.

 

A luz, refletida na mesa e misturada com as energias anímicas dos médiuns, toma proporções enormes, aumentando sistematicamente até atingir todos os presentes. É a força do pensamento atuando e criando condições favoráveis aos trabalhos. A sala de passe também é atingida com luz, porém são vários os matizes dessa luz branca, que se decompõe, a fim de atingir o objetivo desejado pelos amigos espirituais; a luz roxa é muito usada nesta sala, que se assemelha a um pronto-socorro onde é ministrado o atendimento inicial.

 

Todos os setores são então conectados com a mesa, como se fosse um departamento só. Na Creche, essa luz beneficia não só às crianças como também a todos os funcionários. Toda área do Centro é invadida por essa luz, que abrangerá também o terreno, a cantina, inclusive o quarteirão.

 

Os Guias e responsáveis pelos diversos trabalhos vão preparando seus médiuns e o ambiente para mais um dia da prática da caridade. Os espíritos são separados de acordo com a sintonia vibratória: doentes, infelizes, obsessores, sofredores e endurecidos. Para cada grupo a ser tratado, um grupo de espíritos especializados. Essas separações são vibratórias, semelhantes a uma “barreira”, que os prende ao seu grupo, impedindo-os de transpô-las, ou mesmo de se misturarem com os demais grupos.

 

Ao começar o evangelho, começam os trabalhos de transmutação energética, pois quase todos ficam ligados à leitura e às preces. Então os espíritos mais horrendos começam a ser tratados de forma diferenciada. Alguns deformados e outros em forma de “gosma” saem rastejando pelo chão e são retirados do ambiente pela equipe socorrista; uns ficam abismados, arregalam os olhos inebriados pela luz e “pensam” que estão sendo levados para o céu; outros ficam com medo da luz e tentam de toda maneira fugir, como não conseguem, pois estão presos a corrente, fecham os olhos ou tentam tapá-los com as mãos. Contudo, continuam presos à corrente eletromagnética e, impossibilitados de sair, reclamam, esbravejam e, mesmo não querendo, são submetidos ao tratamento. Depois ficam surpresos com as melhoras, agradecendo a Deus.

 

Através da transmutação energética dos médiuns e dos guias algumas mutilações vão sendo corrigidas; outros são submetidos a uma “lavagem”, deixando cair suas “cascas”, semelhantes à carapaça de crocodilo, de tão grosseiras que são. À medida que o evangelho avança, o chão fica cheio de cascas, gosmas, restos de magia, trapos (vestes que são retiradas dos corpos que se assemelham a algo moído, sem forma, contudo fazem parte dos corpos perispirituais mutilados), além de modelos de dedos, pernas, braços plasmados pelos pensamentos doentios, e ficam também retidas as cargas que eles trazem. Os perispíritos “mutilados” ficaram assim em função de pensamentos doentios, muitas vezes motivados pelo remorso, ou são espíritos hipocondríacos que ainda não se conscientizaram de que a doença é fruto do pensamento. Não obstante, os amigos espirituais encarregados da limpeza rapidamente começam a recolher esses restos e a restauração perispiritual começa a ser feita, além de processarem uma purificação do ambiente de trabalho. São então separados os espíritos que serão tratados na desobsessão e na cura (muitos precisam passar primeiro na sala de cura, por se assemelhar a um hospital, para depois serem trazidos ao terreiro para desobsessão). Esse trabalho é semelhante a um tratamento psicoterápico para esses espíritos que não oferecerem maiores resistências, se acham doentes, e a sala de cura lhes transmite a segurança necessária.

 

Alguns espíritos, contudo, são levados pelos amigos espirituais logo após o evangelho. Estes foram submetidos apenas ao choque anímico, que é usado para despertar-lhes sentimentos melhores. Alguns despertam e choram neste momento ao reconhecerem seus familiares ali presentes e se vão sem resistência para um departamento que existe acima de nossa casa, semelhante a um grande hospital com várias modalidades de tratamentos, inclusive restaurações do perispírito.

 

Ao começar a sessão no terreiro, depois de defumado, que é uma esterilização ambiental, os grupos de médiuns são separados formando rodas com oito a dez médiuns e um ou dois doutrinadores. Em cada “roda”, um foco luminoso é destacado do foco principal e assegura a proteção, o equilíbrio energético no decorrer de todo processo de desobsessão (é nesta roda que os pacientes serão atendidos, um de cada vez). Trabalhamos com dez a doze rodas em cada sessão. Os médiuns mais firmes recebem maior quantidade de luz e força, pois para eles serão encaminhados os espíritos mais empedernidos.

 

Quando as rodas estão todas prontas, os guias responsáveis por cada um dos médiuns incorporam e o terreiro se transforma em um verdadeiro palco iluminado com diversas cores, e com diversos protagonistas das histórias que precisam ser rememoradas nos poucos momentos em que os espíritos serão tratados. Momentos cruciais nas vidas desses espíritos, muitas vezes milenares, que reviverão suas vidas, seus erros e desalinhos, ficando cara a cara com seus inimigos. São dramas e mais dramas, dos mais simples aos mais atrozes e difíceis, que serão relembrados pelos amigos espirituais até que ambos, vítima e algoz, se reconciliem. Não podemos imaginar nem de longe a importância, a profundidade desse trabalho de desobsessão, caso contrário nos manteríamos firmes no trabalho espiritual sem nos ausentar, exceto por motivo de força maior, pois é nesse trabalho que exercitamos a verdadeira caridade, sem olhar a quem, sem esperar retribuição, quando o realizamos por amor e com consciência de nossa responsabilidade em levar lenitivos aos aflitos, aos doentes, aos empedernidos, aos suicidas etc. Muitos espíritos saem cabisbaixos, outros chorando, mas a maioria sai reconfortado, afinal, foram tempos de sofrimentos inimagináveis.

 

Ao término da sessão todos os caboclos limpam seus pupilos, restauram seus campos energéticos, limpam todos os cantos do terreiro, agradecem a Deus e a Jesus por mais um dia de trabalho e de caridade.

 

 

Visando acelerar o trabalho comunitário, reformamos o casarão e criamos vários setores de inserção social que vão desde os mais simples, como distribuição de cestas básicas, consultórios médico, dentário, psicológico, jurídico, até os mais complexos: uma creche comunitária que assiste a 75 crianças carentes do bairro e adjacências.

 

Vidência em 10-06-2002

 
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Senha:

Senha incorreta.